domingo, 31 de outubro de 2010

Between the lines

Fazia algum tempo que não escrevia.
E logo lhes aviso que esse texto vem de mim, de dentro do peito, do grito abafado, do cansaço de lutar.
Estou escrevendo para nascer de novo, porque eu voltei a sonhar.
Tenho quase dezoito anos, mil e um sonhos pela frente, mil e um amores para trás.
Passei muitos dias das crianças, ganhei muitos brinquedos, caí de bicicleta, fiz pirraça pra não tomar remédio...
Cresci e ainda crescerei mais.
E nesses próximos anos eu vou cair mais milhares de vezes e sentir que não posso levantar mais, porém, vou estar enganada, porque eu sempre me levanto.
Haverão muitas expectativas quebradas e outras muitas construídas. Haverá uma casa e no quintal dela, uma rede preguiçosa que me fará lembrar das brincadeiras da infância, vou sentir a nostalgia e abraçar minha mãezinha que estará orgulhosa do que me tornei.
Vou ter um ombro para me recostar, para tomar o café da manhã, para assistir mil vezes o mesmo filme só pelo prazer de estar ali, então nós faremos doces, escolheremos as cortinas novas da casa, viajaremos para lugares inusitados e planejaremos ter um bebê.
Estarei me matando de trabalhar, mas trabalhando pela vida. Perderei noites de sono e mesmo assim acordarei sorrindo, porque saberei que no final tudo acaba valendo a pena. Vou passar dias sem ver meu alguém especial, mas quando eu o ver, tudo ainda estará igual, e a sua voz imponente vai chamar nosso cachorro e meus olhos vão marejar com aquele retrato de família que sempre desejei.
Vou dar valor a um pé quentinho, a uma mão para o cafuné, a uma boca para o sorriso, para a bronca, para o beijo. Então encontrarei a minha velha amiga do ensino médio e serei madrinha do filhinho dela. Nós salvaremos a vida dos outros todos os dias, mas também perderemos muitas.
Vai haver uma foto na cabeceira da cama que estampará a felicidade de todos que eu amo e então me lembrarei desse texto e agradecerei a Deus por tudo que me fizera passar, vou sorrir e perceber que tudo que desenhei e sonhei para mim não era impossível.
E, se Deus quiser, eu vou poder beijar também minha mãe, minha tia, minha irmã, minhas amigas e minha avó. E vai haver cabelo branco, meu e delas, e pernas cansadas, e postura moída e, apesar do cuidado com a pele, rugas levinhas pra mostrar que crescer é a vida, que a gente pode brincar e fazer de conta o tempo inteiro que o tempo não tem pressa de passar. E que a gente pode andar de montanha russa de olhos fechados... quando a gente tem alguém em quem confia pra apertar a nossa mão.

E se nada disso acontecer, eu tenho um plano B.

-Que Deus me permita um dia viver assim...Porque a gente vive um dia de cada vez. Cada coisa tem seu tempo. Deus se move de formas misteriosas e sempre tem razão no que faz... Ele sempre tem.





Amém.