Nessa vida louca, entre poucas horas de sono, muitas horas de estudo e leituras intermináveis, de vez em quando me flagro olhando pro nada, ou sei lá, admirando o céu bonito que fica laranjinha em algumas tardes raras. É setembro, a primavera tá batendo na nossa porta, mas o frio de junho ainda não saiu daqui.Na realidade, o frio de junho, aquele friozinho chato que não deixa a gente levantar no horário certo, não sai daqui faz um tempo, esse lugar, não é na minha casa, nem em São Paulo, esse lugar é aqui dentro de mim, de você e de tantas outras pessoas que espalham sorrisos luminosos por aí, mas sentem um frio enorme dentro de si. Eu confesso que sim, eu tenho sido uma dessas pessoas.
Pra não pagar de mau humorada, deprimida e afins, a gente estampa no rosto um sorriso, mas como já diz O teatro mágico "sobra tanta falta" que fica difícil preencher.
Eu quero florir, fazer mais, ser mais, sentir mais. Tem hora que cansa ter a vida cronometrada, ter o tempo todo restrito, ter a obrigação de ser legal, eficiente, pontual, saudável, sorridente e blá blá blá. Cansa não ter com quem compartilhar um gosto bom recém descoberto, um afago diferente, uma volta em qualquer lugar. Existem coisas que não adianta ter um milhão de amigos, nenhum deles vai trazer o que um amor, paixão ou seja-lá-o-que-for traz.
É quase primavera, e tudo que eu não queria era passar mais uma estação sem o coração florido.
Escolha feita inconsciente, de coração não mais roubado...