segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Sobre a coragem...

Faltam poucos dias para que eu me despeça desse ano louco, lindo e extremamente decisivo na minha vida. Na verdade, sempre acreditei que cada dia era extremamente decisivo, mas nesse ano eu fiz e passei por todas as provas que a vida pode nos dar de que a gente no fim das contas não é nada sem a nossa fé. A vida, Deus, o universo e as pessoas me provaram que eu precisava de muito mais fé e que eu devia deixar de ser idiota e egocentrista para tentar então ser feliz.
A vida real bateu na minha porta e eu fui a pessoa mais covarde do mundo quando ao invés de abri-la, só tive coragem de tomar uma cartela de remédio e me iludir de que tudo ficaria bem e que eu iria dormir em paz para sempre.
Tudo ilusão. No fim das contas não senti um sono profundo, nem sonhei com unicórnios, muito menos tive um sono doce. Tudo ao contrário. Tudo sem encanto. Tudo por culpa do medo de mundo imenso que eu sentia toda vez que via minha vida seguir sem rédeas. Porque para pôr a vida em risco ninguém tem que ser corajoso, coragem, a gente precisa para continuar vivo. E hoje, mas só hoje eu entendo isso.
E eu sou dessas que precisa quebrar a cara para perceber que tem um muro na frente do caminho. Então decidi destruir meus muros. Cansei. Talvez pela primeira vez na vida, senti um medo real de morrer, de deixar quem eu amava, de não ver minha cachorra abanar o rabinho e pedir pra passear. Pela primeira vez, talvez eu tenha olhado para o resto do mundo que pedia que eu não fosse embora e que eu deixasse de ser tão louca e percebesse que eu podia sobreviver à todas as feiuras que o mundo ainda iria me mostrar.
Depois da meia-noite do dia 31 de dezembro de 2011, eu não vou mais falar sobre isso, vai ficar aqui guardadinho no passado e um dia eu sei que vou lembrar, reler esse texto e talvez sorrir pensando o quanto é bom crescer de vez em quando.
Depois de tudo, agora eu sinto que resgatei a menininha cheia de coragem que eu era com cinco anos de idade e deixei pra trás a pessoa medrosa que eu estava me tornando. Não que da noite pro dia eu tenha revolucionado minha vida, mas depois de acordar no dia seguinte de toda a minha loucura e ver que eu podia nunca mais abraçar as pessoas mais importantes do meu mundo, nem ler meu romance à noite, nem pegar um sol e ver o mar, eu enfim entendi que a vida vai além daquela minha visão pequena, que eu era parte de algo maior. Enfim eu vi que eu podia sentir solidão, chorar horrores, me sentir mal, louca, burra e ser errante, mas que eu era feita para suportar.
E eu decidi suportar. Uma vez uma amiga me disse no meio de uma conversa informal, que tudo nessa vida era decisão, que eu podia ser o que quisesse desde que tivesse decidido isso.
E depois de tudo, lembrei disso e só decidi ser, não estar, nem ter, nem sentir. Meu verbo daquele dia em diante era "SER".
E a partir de 2012 não vou mais mexer em nada disso, vai ficar aqui escrito, vai ficar na minha memória, vai ser feito um conto triste que eu escrevi que servirá de lição sobre "o que não fazer com a sua vida". Vai ser isso e só.








E permanecendo tranquilo aonde for. Paciente, confiante, intuitivo