domingo, 23 de maio de 2010

Ela se sentia sozinha...

Naquele profundo poço havia somente ela, Deus e suas memórias. Era possível apenas sentir o frio e o vazio.
O que ela faria quando percebesse que havia apenas vazio?
Quando havia apenas vazio, ela começou a reinventar seus desejos e então imaginava que tudo iria se concretizar.
Ela sabia que ele não estava ali, no entanto, sentia-o improvavelmente perto. Desejava ouvir sua voz e sentir suas mão quentes em seu rosto e como num passe de mágica, sua mente (talvez por insanidade ou por carência) projetava todos os sonhos e ela não podia imaginar uma sensação melhor que aquela.
Era bem provável que ela estivesse mesmo enlouquecendo, afinal era complicado manter-se sana quando todo o mundo parecia invisível, mas isso não fazia muita diferença.
Ao contrário do que muitos pensavam, o seu vazio não era algo inexistente e muito menos confortável, pois sempre que ela pensava nele surgia a dor.
A partir daí, ela esperava pela dor.
Não estava entorpecida -seus sentidos estavam incomunmente intensos depois de tanto tempo de névoa-, mas a sua dor normal não chegava.
A única dor era a da decepção pelo desaparecimento de todas aquela sensação de abrigo.
Nada mais existia, haviam apenas pequenos vestígios de algo inexplicável.



Ela despertara do sonho.

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