Aqui era um deserto.
Um terreno inabitado e sem chuvas.
Quase sem fauna, quase sem flora.
Apenas vento e poucas plantas terrivelmente resistentes à essas condições.
Viu esse deserto e teve a esperança de que ali podia SIM nascer vida. Aí gastou com enriquecedores para a terra e mil e um tipos de adubos.
Depois de muito tempo de trabalho árduo, eis que surgia uma folhinha.
Uma pequena folhinha que trazia a cor da esperança.
A partir dessa folhinha se animou e começou a imaginar que ali bem no meio do deserto podia plantar a sua parte de vida.
Talvez a folhinha fosse só uma forma desse meu deserto dizer: 'HEY! EU AINDA POSSO SOBREVIVER.'
Essa demonstração de força te fazia crer que nada podia ser tão impossível e que com mais adubos, talvez outra folhinha aparecesse.
E assim se fez.
Depois daquela primeira folhinha, surgira mais uma e mais outra e mais outra e mais muitas outras.
Você conseguira criar SEU jardim.
Um belo recanto para se contemplar.
Um belo lugar para sorrir.
Mas os jardins só sobrevivem com cuidados, e quando via aquele lindo cenário imaginava que tudo estava perfeito.
Mas não.
Nem tudo estava perfeito, começava a faltar água no fundo desse solo e aos poucos esquecia de adubar a terra novamente.
Depois esquecia de colher as flores.
Depois esquecia de semear novos frutos.
E por fim esquecia de que seu jardim no deserto existia.
Tudo bem.
Nada de diferente acontecia, mas o processo natural não parava e em pouco tempo seu jardim voltara a ser deserto.
Depois de perceber isso, tentava semear tudo outra vez, entretanto, seu terreno árido estava resistente a adubos e às sementes.
Não havia como mudar.
Não havia como se redimir.

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