domingo, 15 de agosto de 2010

O seu amor é uma mentira, que a minha vaidade quer

Ambos brincam com o coração.
Ela quer ilusão, quer sorrisos e abraços.
Quer vida.
Sabe que dinheiro não é sinonimo de amor, desejo não é sinonimo de fidelidade.
Ele pensa que ela não sabe de nada.
Ela gosta dessa companhia e sabe que não está apaixonada porque consegue ficar perto dele sem se preocupar com o seu cabelo ou com o jeans surrado.
Normalmente ela se maquiaria e  lembraria de cada palavra dele nos mínimos detalhes e teria vontade de passar as 24 horas do dia brincando de ser criança com ele.
Não conseguiria ficar em paz em uma noite de sábado em que tinha certeza de que ele estaria saindo com seus amigos enquanto ela comia pizza em casa, mas não, simplesmente põe um filme no DVD e nem me lembra do resto.
E no domingo de manhã não espera sua ligação com um belo "Bom dia!" e talvez seja por isso que ele não esquece de ligar.
Quando a gente se apaixona nos tornamos naturalmente pessoas mais manipuláveis e sensíveis, ela tinha certeza de que ele era do tipo de cara que abusaria disso.
Aliás, ele abusava disso, mas fazia isso com as outras. Com ela não.
Ele tinha que se conformar.
Ela não está apaixonada por ele. Pelo menos não agora.
Ele tenta surpreender, mas ela conhece as suas armas e sabe que gosta delas.
Alimenta a vaidade.
E ela é como um brinquedo que ele não tem coragem de tirar da caixa, talvez só para poder exibi-la para os amigos, talvez por medo de gostar demais do que vai encontrar.
É divertido pra ela ver quanto ele é ingênuo pensando que a engana.
É divertido pra ele descobrir a cada dia mais um detalhe enigmático de como fazê-la se apaixonar e apesar de todos falharem, ela é um desafio e isso instiga qualquer um.
Ela podia até ser enganada, mas não por alguém como ele
Ele a olha de longe se perguntando por que ela é tão normal, tão simpática com seus amigos e tão leve mesmo perto dele...
Se perguntando por que ela não reage e nem dá pistas do que se passa na sua cabeça.
Todas as cartas estavam na mesa para ela.
E apesar das tentativas ela não quer se apaixonar e por enquanto não se apaixonou.
Aos poucos ele descobriu que a ama mais do que devia e agora ela é um objetivo, ele não sabia como ela podia ser tão impacial e viver ali no meio fio sem se machucar. Sem se apaixonar.
A diferença entre os dois é que ela sabia com quem estava jogando, ele não.
Ela tinha a verdade, ele não.
E apesar de saber de exatamente tudo sobre ele, ela o deixava doar aquele amor bandido e proibido que era como um conta gotas com veneno.
E tudo isso acontece por um simples motivo: ela deixou de adorá-lo e passou a ser adorada.
;*







"A vida é um punhado de lantejoulas e purpurina que o vento sopra. Daqui a pouco tudo vai ser passado mesmo. Deixa o vento soprar, let it be, fique pelo menos com o gostinho de ter brilhado um pouco..."
Caio F. Abreu

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