sábado, 18 de setembro de 2010
Me guarde em paz e em segredo
Fazia coisas comuns.
Vivia dias comuns.
Sem maiores emoções e com a sensação de que um ácido estava correndo pelas veias no lugar em que o sangue deveria estar, causando uma dor indescritível, um desejo inominável. E só sabia que estava em mim.
Então chorei. E só Deus sabia quanto havia me esforçado para conseguir fazer isso.
Só Deus sabia quanto me esforçava para poder falar.
Tinha vontade de fazer mal às pessoas para talvez não me sentir tão injustiçada pela vida.
Sempre era boa, generosa e persistente, e sempre terminava assim: Sozinha, vazia e chorosa.
Lutava para não me apaixonar e quando menos esperava já estava apaixonada.
Sempre.
Todas as vezes sempre iguais.
Um desespero mudo, superior à qualquer vontade.
Peguei o celular, mexi em toda a agenda e nada.
Não encontrava o que estava procurando. O que eu estava procurando?
Mexia em caixas com lembranças, em camisetas assinadas na formatura e em fotos de anos atrás.
Ficava muda, porque qualquer explicação sobre meu estado iria parecer loucura, e todos iam começar a querer me mandar para médicos especialistas que me fariam tomar quilos de remédios que não funcionariam para nada. Eu sabia.
Minha consciência nada dizia e eu continuava vivendo por uma questão de obrigação.
"Chorei três horas, depois dormi dois dias.Parece incrível ainda estar vivo quando já não se acredita em mais nada. Olhar, quando já não se acredita no que se vê. E não sentir dor nem medo porque atingiram seu limite. E não ter nada além deste amplo vazio que poderei preencher como quiser ou deixá-lo assim, sozinho em si mesmo, completo, total."
"E se não vier, para seu próprio bem guarde este recado: alguma coisa sempre faz falta. Guarde sem dor, embora doa, e em segredo."
-A parte em itálico é referente à trechos escritos por Caio F. Abreu
Assinar:
Postar comentários (Atom)

Nenhum comentário:
Postar um comentário